20.4.11

Produtoras de video ganhando dinheiro no YouTube



Ontem li um artigo do New York Times assinado por Claire Cain Miller e traduzido pro português por Augusto Calil no jornal O Estado de São Paulo falando sobre produtoras de video que lucram exclusivamente com videos no YouTube. Citava varias produtoras americanas que seguem este formato de remuneração através do programa de afiliados e de investidores.

Na hora lembrei de experiências brasileiras que parecem seguir o mesmo caminho, a mais bem sucedida talvez seja o canal Galo Frito (com 66.405.853 exibições nos videos), cuja série da personagem Pathy que te Pariu ilustra esse post. De qq forma eu citaria tb os canais Anões em Chamas da Fondo Filmes (chegou a ter 11 milhões de exibições antes de ser suspenso pelo YouTube) e até mesmo o Música de Bolso da Ioio Filmes (1.931.153 exibições). Diferente dos vlogs, uma revolução individual onde uma webcam e conexão internet é suficiente para lançar novos talentos, nestes canais a produção tem um caráter coletivo e a criação e o lançamento de personagens, protagonistas e enredos se parece mais com o show business e star system tradicional.

Abaixo o copy paste do artigo do New York Times assinado por Claire Cain Miller e traduzido pro português por Augusto Calil no jornal O Estado de São Paulo.

Pequenas produtoras ganham dinheiro no YouTube
19/4/2011 - Estadão.com

Era um estúdio de cinema profissional, apesar de os atores insistirem em estragar a cena ao rirem do astro, que se debatia diante de uma tela verde, fingindo ser devorado vivo. "Precisamos de uma tomada mais limpa", disse o técnico de som. Eles gravaram mais uma vez, os atores contendo a histeria até que as câmeras fossem desligadas.

A cena, um episódio de um programa humorístico chamado AsKassem, não era destinado ao cinema e nem à TV: ele seria exibido no YouTube. Mas, com a tela verde, a equipe de técnicos, os atores e as consideráveis despesas com o aluguel de câmeras e luzes, o programa vai muito além dos típicos vídeos de produção individual gravados no porão de casa apenas com uma webcam, tão comuns neste site.

O AsKassem é obra do Maker Studios, uma das muitas produtoras que surgiram para ajudar a criar e distribuir vídeos na rede. Financiados por capitalistas investidores e por recursos cedidos pelo YouTube, do Google, esses estúdios tentam desempenhar para os serviços de vídeo online o mesmo papel assumido pela United Artists há quase 100 anos na distribuição dos filmes e também aquele assumido pela MTV em relação à televisão nos anos 80.

"Estamos falando de uma nova geração de estúdios, gente que está crescendo com um trabalho amador e que decidiu juntar forças e formar essas redes", disse Hunter Walk, diretor de gestão de produtos do YouTube. "Sob muitos aspectos, são como as primeiras emissoras a cabo de 30 anos atrás."

Trata-se de uma importante mudança na estratégia do Google para o YouTube. O Google decidiu participar muito mais e ajudar na criação de conteúdo original para o site ao alimentar esses estúdios, pois a aposta em conteúdo profissional produzido por estúdios já consagrados no cinema e na TV não produziu os resultados esperados. O YouTube precisa muito de mais conteúdo de alta qualidade para concorrer com serviços que oferecem vídeo via streaming, como o Netflix e o Hulu, na disputa por espectadores e anunciantes.

Lucro.

Alguns criadores de vídeos para o YouTube têm ganhado dinheiro nos últimos anos. Mas, conforme a popularidade do site aumentou vertiginosamente, os criadores podem enfrentar dificuldades para consolidar canais com uma audiência regular, fugindo da fórmula do sucesso solitário das peças virais.

As produtoras iniciantes - entre elas o Maker Studio, Machinima, Mahalo, Vuguru e Next View Networks (essa última comprada recentemente pelo próprio YouTube) - tentam ajudar os diretores.

Elas escolhem os videomakers mais talentosos e os ajudam a produzir vídeos oferecendo-lhes o figurino, as câmeras e os recursos financeiros necessários. Ajudam também a consolidar a audiência por meio de estratégias como a distribuição de links para esses vídeos inseridos em outros conteúdos populares na mesma rede.

O YouTube, por sua vez, vende espaço aos anunciantes e partilha o lucro obtido com essas empresas e os criadores dos vídeos.

Auxílio
O YouTube sustenta esses empreendimentos com a renda dos anunciantes, com auxílio nas questões relativas a copyright e também com investimentos.

No Brasil: Galo Frito e Anões em Chamas

Agora, fazendo um paralelo com o Brasil, o canal Galo Frito, no ar desde outubro de 2007 no YouTube, faz muito sucesso com paródias de artistas famosos e celebridades adolescentes e séries com personagens de humor. Segundo o site oficial, o Galo Frito nasceu nas salas de aula do curso de Publicidade e Propaganda na UNIVALI (SC) por Mederijohn Corumbá (Mederi) e Tiago Cadore, Mederi, surinamês, desde 2003 dirige e edita curtas-metragens, documentários e animações e Tiago Cadore é editor, animador, ator e roteirista.

Ainda segundo o site, em 2006, Mederi e Guilherme Angeli resolveram bolar um programa de humor diferente, chamaram André Petermann (Buda) para fazer parte e começaram o projeto Galo Frito. Quando tudo estava definido, infelizmente Guilherme Angeli veio a falecer, fazendo com que o Galo Frito ficasse na geladeira por até 2007 quando Tiago Cadore se juntou dando origem ao piloto da série.

Como eles próprios se definem, o Galo Frito é um programa de humor, com esquetes humorísticas em forma de curtas-metragens, muito diferente do que você já conhece, trazendo sempre um humor rico em gordura trans!

No YouTube atingiram 104.471 assinantes (4º maior entre os comediantes/humor e 10º entre os parceiros/afiliados do YouTube no Brasil) e 66.405.853 exibições nos videos do canal (14º mais visto no Brasil, 3º entre os comediantes e 11º entreos parceiros/afiliados).

Muitos videos do Galo Frito brincam perigosamente com celebridades e artistas populares do momento, como Restart e Justin Bieber e mesmo as séries com personagens originais, como Pathy que te Pariu, aborda temas marginais como sexo, escatologia, etc. Um limite que o YouTube e sua audiência (que pode denúnciar e marcar videos supostamentes fora da lei) talvez tenha levado ao banimento do canal Anões em Chamas da Fondo Filmes.

Lançado em fevereiro de 2010 como braço web da Fondo Filmes, o Anões em Chamas foi criado por Fabio Porchat, comediante de stand-up e roteirista na TV Globo, e Ian SBF, diretor de curtas e longas metragens e tb roteirista na TV Globo e Multishow, sócios da produtora. Depois de alcançar pelo menos 11 milhões de exibições, o canal foi deletado pelo YouTube em março de 2011, segundo o blog Delfos, provavelmente pela série de videos com a pesonagem Amanda, que dava dicas machistas para mulheres nos relacionamentos.


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