19.7.11

Comercial da época do preconceito contra homem com mais de 40



Ontem assistindo ao programa Roda Viva na TV Cultura, com a entrevista do publicitário Washington Olivetto, desde abril de 2010 chairman da W/McCann, ele citou o primeiro comercial brasileiro que ganhou Leão de Ouro no Festival de Publicidade de Cannes de sua autoria. Premiado em 1975, quando tinha 19 anos e trabalhava na DPZ, falava do preconceito existente na época quando os empregadores consideravam o homem com mais de 40 anos velho e excluídos das entrevistas e processos de seleção.

Fiz a transcrição do roteiro do comercial que está publicado no canal WBrasilOnline no YouTube, segue abaixo:

Na tela vão aparecendo em sequencia, fotos de personalidades como Winston Churchill, Albert Einstein, o Papa, Ernesto Geisel, Charles De Gaule, Mahatma Gandhi, Nikita Kruschev, Jorge Amado, Pablo Picasso, Louis Armstrong, Frank Sinatra e vários outros que não reconheci.

Narrador:

Você já ouviu falar que um homem depois dos 40 anos fica ultrapassado, sem chance de se realizar profissionalmente se não tiver atingido o ponto máximo de sua carreira até essa idade. Pois bem, pode ser surpreendente, mas é assim que muita gente pensa.

Você não acredita, então responda, por que os anúncios classificados de certas empresas levam aquela frase com o preconceito em negrito: idade máxima 40 anos. Essas empresas julgam os homens com mais de quarenta anos velhos demais para conseguirem sucesso profissional. E acham normal que eles comemorem o dia do trabalho numa fila de desempregados.

Mas isso tem que acabar. Nenhum país pode se dar ao luxo de desperdiçar o potencial de seus homens mais experientes. Empregador, tire dos anúncios classificados de sua empresa a frase com o preconceito em negrito - idade máxima, 40 anos - e procure descobrir o talento e a vontade de trabalhar que podem estar escondidos dentro de uma cabeça coberta de cabelos brancos.

Lembre-se que todos os homens que você viu aqui fizeram sucesso bem depois dos 40.

Assinatura: Conselho Nacional de Propaganda.

A ficha técnica do comercial, segundo o post Nosso primeiro leão de ouro publicado com os créditos para Nelson Cadena no blog Almanaque da Comunicação, seria essa: criação de Francesc Petit, Washington Olivetto, producão gráfica de Ronald Persichetti, fotografia Roberto Mateo, locução de Ferreira Martins e direção de Andrés Bukowinski (ABA Filmes).

Pelo video dá pra imaginar um tempo bem diferente dos dias de hoje, esta faixa de idade sendo vista com muitas limitações, além até do mercado de trabalho, onde a própria aparência e capacidade física e de saúde deveriam ser outras. O filme nem cita mas o papel da mulher no mercado de trabalho também deveria ter dificuldades e preconceitos explícitos nos classificados de empregos nos jornais.

Pra finalizar, a sinopse do programa Roda Viva cita o livro autobiográfico O que a vida me ensinou, escrito por Washington Olivetto e que traz na capa a frase "prestígio é melhor do que sucesso".


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