15.8.08

O jeito brasileiro de fabricar aviões

Workaholics?
Noticia no jornal Valor - Embraer adota modelo automotivo para ganhar mais produtividade - publicado em 08/08/2008, conta do processo adotado pela companhia brasileira para substituir o antigo modelo, mais artesanal e manual. Conhecido como método "lean", um programa de manufatura adotado pelas fábricas de carros, está sendo adaptado e adotado pela Embraer desde o ano passado. Inclusive com o uso de robôs, previsto para atuar na perfuração das asas do modelo Phenon, novo jato executivo que será produzido na fábrica em Botucatu/SP.

Frederico Curado, presidente da empresa, declarou à reportagem que o sistema foi implantado com a ajuda de uma consultoria japonesa, alinhado com os métodos de produção enxuta em empresas do setor automotivo, como a Toyota. Com o objetivo de melhorar a produtividade e aumentar a rentabilidade, descarta os estoques, "Não sera um "just in time" como em uma fábrica de automóveis, mas já será uma pequena revolução", afirma Curado, que revelou inclusive que a americana Boeing também começou a adotar a automação.

Não seria a primeira vez que a concorrência adota um procedimento lançado pela Embraer. Notícia no Estadão - Boeing e Airbus copiam Embraer para reduzir custos - publicada em 23/04/2008, fala da chamada gestão de parceria de riscos, criada pela Embraer nos anos 90. Na época, em crise, lutando pela sobrevivência, sem capital e com a necessidade de atrair investidores interessados em sua privatização, a empresa decidiu compartilhar custos e riscos com seus fornecedores. Para isso, mais uma vez, reproduzindo a industria automobileistica, tranformou-se em uma "montadora".  Na matéria, Zil Miranda, autora do livro O Vôo da Embraer - A Competitividade Brasileira na Indústria de Alta Tecnologia, defende: "O sistema de parcerias foi uma grande inovação. A capacidade de gerenciar uma cadeia complexa de fornecedores hoje é um dos maiores ativos da Embraer".

A aposta da Embraer em jatos pequenos para a aviação executiva, anunciada em 2005, vem sendo cumprida, reflexo de um cenário transformado também pelos ataques de 11 de setembro onde a aviação comercial foi usada como instrumento do terrorismo. Mas a empresa não está sozinha neste mercado, reportagem da Folha de São Paulo - Aviação Executiva Foca Crescimento das Vendas de Jatos nos Países Emergentes (para assinantes) - publicada em 14/08/2008, esteve na Latin American Business Aviation Conference  Exibition (Labace) e contou dos planos dos concorrentes. John Rosanvallon, presidente da Dassault Falcon, anunciou ao jornal que a empresa vai abrir um centro de serviços no aeroporto de Sorocaba/SP. o primeiro fora dos EUA e Europa. A canadense Bombardier afirmou que 70% de suas vendas são feitas para compradores de fora dos EUA, no Brasil, a empresa teria 92 jatos vendidos, 26% da frota neste segmento.


Post publicado originalmente em meu Blog no Yahoo! Tecnologia.

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