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3.8.11

Quando Arnaldo Jabor reclamava do Twitter e dos falsos textos em seu nome na internet

Cabeção
Cabeção, upload feito originalmente por Carlos Macedo.

O comentarista de TV e diretor de cinema Arnaldo Jabor, que ao lado de Luis Fernando Veríssimo, talvez seja o principal nome a quem atribuem os textos que fazem sucesso em correntes por email, powerpoints motivacionais e agora mensagens compartilhadas no Facebook. Em 2009, nesta coluna publicada no Estadão e reproduzida abaixo, o cineasta reuniu alguns parágrafos e frases atribuídas a ele, reclamando dos elogios e mensagens de felicitações que recebe por estes textos que nunca escreveu.

Arnaldo Jabor também critica as redes sociais, o Twitter e seu falso perfil @Arnaldo_Jabor, também apócrifo, que hoje tem 232.689 seguidores. Pela coluna escrita 2 anos atrás ele nem considerava, mas desde o ano passado ele mantém um perfil oficial @realjabor (477.855 seguidores) cujo lançamento anunciou em sua coluna no Jornal Estadão em 24/8/2010: Estou nascendo hoje na internet.

Abaixo, copy paste da coluna publicada em 2009:

Blogs, twitter, orkut e outros buracos
03/11/2009 - O Estado de São Paulo - Arnaldo Jabor

Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei neste terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, este nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.

O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no País, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ – não viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.

Escritores Fantasmas

O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’”

“Não fui eu...”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah... É teu melhor texto...” – e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.

Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!”... Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!”. Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou...”)

Vejam as banalidades que me atribuem:

“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”
Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.”
Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado “Seja Idiota!”...

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar. Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada, não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro – gosta de apanhar...”

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito esta sordidez.

Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?

Penso que a motivação das pessoas atribuem os textos a autores consagrados, unanimidades literárias e personalidades famosas e conhecidas por todos é ajudar na aceitação da mensagem. Opiniões que elas acreditam e que quase sempre estão ligadas a seus instintos de sobrevivência, reprodução e afirmação. E entender a origem destes textos apócrifos e até mesmo as lendas urbanas é memética - estudos dos memes - na prática.


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4.12.09

Pulseiras do Sexo - Lenda urbana ou tendência adolescente?

Pulseiras do sexo
Recentemente minha mulher recebeu por email a notícia de que adolescentes e mesmo pessoas mais novas ainda estavam usando pulseirinhas coloridas com significados sexuais. Cada cor utilizada teria um significado em brincadeiras e joguinhos: amarelo seria abraçar, rosa mostrar os seios, verde para cunilingus, azul para felação, por aí vai.

O formato parecia muito com histórias de lendas urbanas (aconteceu com alguém conhecido, tome cuidado, etc), que tb circulam por email, mas desta vez acompanhada com a constatação real de que estas pulseiras estão na moda, sendo usadas pelos jovens e vendidas em camelôs no centro da cidade.

Pesquisando pelo Google achei matérias em jornais portugueses e brasileiros, apontando para reportagens publicadas na Inglaterra. Seguem trechos:

10/11/2009 - Gazeta (Espírito Santo): Pulseiras do sexo: uma mania adolescente
Os mais atentos já notaram que adolescentes vêm incrementando o visual com mais um item: uma colorida pulseira de plástico. O objeto parece inocente. Mas, na realidade, é um código para experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até o sexo propriamente dito. As pulseirinhas de silicone, agora promovidas “a pulseiras do sexo”, geraram o maior burburinho desde que começaram a aparecer. Alguns nem imaginam do que se trata. A moda, iniciada na Inglaterra, se disseminou pelo mundo, principalmente via internet, e é febre também dentro das escolas. Quem usa as pulseiras está automaticamente participando de um tipo de jogo (o Snap), que funciona assim: uns tentam arrebentar a pulseira do outro. Aquele que consegue ganha o direito ao “ato” ao qual a cor da pulseira corresponde. As “prendas” vão desde um carinho até uma atividade sexual.

Há pais que já ligaram o sinal de alerta. E muitos ficam chocados quando descobrem que a pulseira usada pelo filho serve para esse tipo de “brincadeira”. “Quantas mães não sabem do significado dessas ‘inocentes’ pulseirinhas e estão deixando as filhas e filhos usarem? Os pais precisam tomar uma atitude”, desabafou a mãe de um adolescente de 12 anos que usa várias pulseiras. A psicóloga Adriana Müller acredita que, para os pais, o melhor nessas horas é um diálogo franco com os filhos, explicando a eles os perigos associados a essa brincadeira. “Eles devem comparar esse problema com os valores defendidos pela família e criar limites para seus filhos”, aconselha. (Vitor Ferri)

29/09/2009 - Destak Portugal: As pulseiras do sexo
À primeira vista, uma colorida pulseira de plástico nos pulsos de crianças parece inocente. Mas na realidade são um código para as suas experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até ao sexo propriamente dito. (...) Quase tão chocante como as “festas arco-íris” – encontros com muito álcool e droga à mistura, em que as raparigas usam batons de cores diferentes para deixar a “marca” nos rapazes após o sexo oral -, as «pulseiras do sexo», que custam apenas um euro (um pacote com várias), têm um custo maior que foge ao alcance de muitos pais. (...)

Traduzi alguns trechos, inclusive o significado das cores, da materia onde aparentemente a onda se originou:

29/09/2009 - The Sun (Reino Unido): Bracelet which means your child is having SEX
Braceletes que permitem descobrir que seus filhos estão transando (...) As pulseiras do sexo (shag bands) estão sendo usados por milhares de estudantes do ensino fundamental e médio e podem ser compradas por centavos nas avenidas principais da cidade. (...) Os adolescentes correm atrás um dos outros para arrebentar as pulseirinhas, quando acontece, recebem em troca o ato físico que corresponde a cor da pulseira. (...) Amarelo - Abraçar, Laranja - Mordida do amor, Roxo - Beijo de língua, Cor de rosa - Mostrar os seios, Vermelho - Dançar strip tease, Azul - Sexo oral, Preto - Ir com tudo, Dourado - Fazer tudo (...) Pulseiras Raras. A preta e a dourada são mais difíceis de achar, quando encontram disponíveis em uma loja, tem que pedir para a mãe comprar (...)
Imprensa sensacionalista, moda, sexo, desinformação, ingredientes para duvidar se as pulseiras são apenas acessórios, uma tendência libertária e irreverente da nova geração, ou mais uma lenda para o acervo do folclore urbano.

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27.7.08

Lendas Urbanas e Teorias da Conspiração

bonecos

Matéria na Folha de São Paulo - Guia de sites compila teorias conspiratórias na internet - publicada em 22/07/2008 fala sobre o livro Web of Conspiracy, um guia de sites sobre teorias da conspiração na internet. Os autores James F. Broderick e Darren W. Miller pesquisaram e selecionaram 21 teorias, desde as mais polêmicas como as que contestam o suicídio de Marilin Monroe e Jim Morrisson e até as mais curiosas, como o Experimento Filadelfia, suposta tentativa de teletransportar um navio, promovido pela marinha americana.

Os autores reuniram apenas teses defendidas por intelectuais e cientistas, como Brenda James, que escreveu o livro The Truth Will Out: Unmasking the Real Shakespeare (A verdade vem a tona: desmascarando o verdadeiro Shakespeare) que revela que o questionamento da obra do dramaturgo inglês vem desde o século XVIII. O site do livro ( Webofconspiracy.net ) ainda reune links sobre o atentado às torres gêmeas de 11 de setembro, que é considerado pelos autores como o primeiro fato cujas teorias conspiratórias tiraram proveito do imediatismo proporcionado pela popularização do registro digital e da internet.

No suplemento de Informática do mesmo jornal, outra matéria - Internet Deu Fôlego a Lendas Urbanas, Diz Pesquisador - publicada em 20/02/2008, fala da tese de doutorado defendida por Carlos Renato Lopes na Universidade de São Paulo (USP). Formado em letras, Carlos analisou por 2 anos mais de 12 mil mensagens espalhadas pela internet, a maioria registrada no site Snopes.com, especializado em boatos. Historias como desodorantes que provocavam câncer de mama, jovens que se envolvem com homens para espalhar o virus da Aids, mulheres de branco que faz vítimas em estacionamento de shopping centers, etc, quase sempre enviadas com o assunto urgente ou confidencial.

O estudo concluiu que estas lendas urbanas quase sempre não tem autoria definida e envolvem elementos do cotidiano. Carlos revela que a historia do roubo de rins na banheira, retirado por traficantes, e contada desde pelo menos o final do século XIX. As lendas são adaptadas a diversas cidades e tem em comum os assuntos do momento - doenças, ataques e escândalos - e delineiam contrastes entre segurança e violencia, risco e conforto e quanto mais abalam o cotidiano, mais impacto causam.

Na mesma reportagem, uma nota complementa - Nua em NY: Top Brasileira Foi Foco de Uma História Fantasiosa (para assinantes) - o pesquisador cita uma lenda de vida curta: a história de que a top model Gisele Bundchen sairia nua em Nova York caso o time de seu namorado, Tom Brady, perdesse o campeonato de futebol americano.

Post publicado originalmente no blog do Yahoo! Tecnologia.

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22.3.08

Fraude no videoclip mais visto do YouTube



"Melhor que falem da gente assim do que a gente ter que ir no Faustão pra falarem da gente."

Ana Rezende, guitarrista do grupo musical Cansei de Ser Sexy, em entrevista a Folha de SP sobre eventual fraude no suposto videoclip mais visto do YouTube. Abaixo segue trecho da reportagem:

Para Ana Rezende, guitarrista do Cansei de Ser Sexy, audiência pode ser "bug"

Um clipe não-oficial da banda paulistana Cansei de Ser Sexy, que neste mês chegou ao topo do ranking dos mais vistos do YouTube e foi retirado pelo próprio Google, continua a gerar especulações --inclusive, por parte da banda. Ana Rezende, guitarrista do CSS, também tem suas teorias.

Em entrevista à Folha Online, por e-mail, ela diz reconhecer que só o fato de ser um clipe do grupo não justifica o número elevado de acessos. Para ela, a presença de palavras como "hot" e "sex" nas referências ao vídeo poderiam influenciar.

No entanto, quando digitadas na busca do YouTube as palavras não levam diretamente ao clipe, que só aparece na terceira página de pesquisa.

O link com a canção "Music Is My Hot Hot Sex", de pouco mais de três minutos, foi publicado por um fã italiano. Sem alarde, alcançou audiência extraordinária. Nesta quinta-feira, aparece com 106 milhões de "views".

Desde então, técnicos do gigante das buscas e "curiosos da internet" tentam desvendar o fenômeno --o "segundo colocado", "The Evolution of Dance", tem apenas 78 milhões nesta quinta-feira.

Para Rezende, toda essa suspeita não é prejudicial à imagem do grupo. Ela diz que a polêmica gerada é melhor que "ter que ir no Faustão" para divulgar a banda.

Post originalmente publicado no Yahoo! Tecnologia

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