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29.11.16

Rede social com criptomoeda Steemit, chegando junto na revolução blockchain.


Na primeira vez que ouvi falar em blockchain e Bitcoin não entendi quase nada, era 2011 e esse assunto empolgava apenas os nerds, mesmo assim baixei um software e achei que já estava minerando, participando de uma corrente mundial de processamento descentralizado e ajudando o movimento no estilo SETI@home (Search for Extraterrestrial Intelligence, febre da internet do final dos anos 90). Fiz isso e esqueci.

Anos depois em 2013 o assunto contagiou a grande imprensa, por algum motivo o Bitcoin estava valendo um dinheirão. Lembrei daquele download, tentei todo alegre descobrir se tinha ganho alguma coisa e, resumindo, continuei não entendendo nada. Passou mais um tempinho, quando fui passear em Boston tirei esta foto de um caixa eletrônico para Bitcoin em uma loja/livraria perto de um dos campus do MIT.

Agora, através do @hdimantas descobri o Steemit, uma rede social que remunera seus participantes ativos com a criptomoeda Steem. Me cadastrei - @wagnertamanaha - e aproveitei pra desabafar sobre a vitória do Trump e os planos da IBM com o Watson em meu post de estréia por lá: O presidente.

Confesso que também entrei nesta onda influenciado pela divulgação do livro Blockchain Revolution, lançado por Dan Tapscott este ano, e também pelos artigos sobre o assunto do Ronaldo Lemos na Folha de SP e pelas iniciativas de Oswaldo Oliveira, evangelizador e empreendedor do tema no Brasil.

De qualquer forma, já está na hora de botar o pé nesta revolução, se não por méritos das criptomoedas, por decrepitude do sistema financeiro mundial, que depois de prescindir do lastro em ouro nos anos 70 agora já até aceita aplicar juros negativos (imagino que na cabeça de um contador essa expressão soe como "subir pra baixo"), punindo quem quer guardar moeda e economizar.

Pelo que entendi o Steemit funciona desde o começo do ano, cheguei lá e achei bem rústico comparado com o Medium (que parece ser a inspiração mais próxima). Publicando conteúdo em um editor que não é wysiwyg me senti voltando ao passado, na época quando era preciso saber um pouco de html. Mas o que faz a diferença é a ideia de remunerar os participantes com criptomoeda, com os Steems já pingando em minha carteira agora entendo o bafafá em torno da tecnologia.

Afinal, pra uma moeda existir só é preciso ser conversível e conquistar credibilidade diante de uma comunidade. Hoje em dia emitir moeda é monopólio de países e governos mas com o sucesso do Bitcoin, que já pode ser trocado por dólares em caixas-eletrônicos, esta realidade está sendo posta em cheque. Parece que já tem gente que está negociando Steem, trocando por Bitcoins, pra converter a moeda também existe o Peerhub, um marketplace online onde os vendedores aceitam a criptomoeda.

Pode ser que o Steemit não dê certo ou sofra algum imprevisto tecnológico, como aconteceu com o The DAO (Descentralized Autonomous Organization), uma iniciativa blockchain muito mais ambiciosa, sofisticada e conduzida com mais cuidado formal que através de uma brecha de segurança sofreu um roubo traumatizante mas ainda não o suficiente para fazer a comunidade desistir por completo: introducing Charit DAO.

Vou dar uma chance pro Steemit. Afinal, o conteúdo sempre girou em torno de comunidades e as comunidades giram em torno de conteúdo. Se as comunidades são trocas, de bens e informações, e as criptomoedas em redes blockchain também comunitárias em software livre despontam como intermediario ideal... BUM, taí uma combinação que me parece tão explosiva quanto foi o advento da internet.

16.2.12

Professores defendem nova divisão de classes sociais para pesquisa de mercado


Reportagem publicada dia 7 no site do Jornal Valor Econômico (para assinantes) divulgou uma proposta nova de divisão de classes sócio-econômicas atualmente utilizadas nas pesquisas e análises do mercado. A idéia é substituir as classes A, B, C, D, E e F por classes de 1 a 8, onde a classe média seria representada pelas classes 3, 4 e 5, como mostram os gráficos acima.

Sei que em tempos de análise de tendências, perfis comportamentais e perfis digigráficos, avaliar o público consumidor e os clientes através de classes sociais, faixas etárias e demográficas já é prática ultrapassada para muitas marcas e empresas, geralmente as líderes e inovadoras. Mas vale a discussão, principalmente diante do fenômeno da nova classe média, ou os batalhadores brasileiros, como defende o sociólogo Jessé Souza, ou classe média mixa, como acredita o filósofo José Arthur Giannotti.

Veja abaixo copy e paste da matéria no Valor Online:

Proposta uma nova divisão de classes

7/2/2012 - Cynthia Malta

Os professores brasileiros Wagner Kamakura, da Duke University, nos Estados Unidos, e José Afonso Mazzon, da Universidade de São Paulo, estão propondo uma nova divisão sócio-econômica da população brasileira, com foco no consumo de produtos e serviços. O novo modelo, construído a partir dos dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), pode ser usado em pesquisas de mercado, especialmente as orientadas aos hábitos de compra da classe média.

Os professores, que trabalharam juntos no projeto ao longo de um ano e meio, dizem que a classificação utilizada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (conhecida como Critério Brasil) não retrata adequadamente a importância que a classe média adquiriu nos últimos anos. E decidiram elaborar um novo modelo, com base nos dados da mais recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE em 2009.

Mais de 104 mil domicílios entraram no modelo, que considera 36 critérios - desde o número de aparelhos de TV em cores, computadores pessoais e automóveis, até nível de educação e ocupação do chefe da casa, passando pelo número de empregados domésticos. Critérios como acesso a esgoto, água tratada e ruas pavimentadas também foram considerados.

A nova classificação tem como base a renda permanente e não a renda corrente. "Renda permanente é um conceito teórico, relacionado com a capacidade de a pessoa de gerar renda, e, portanto, não é observada diretamente," diz Kamakura A renda permanente pode ser medida por meio da posse de bens duráveis e do nível de educação, por exemplo. A renda corrente é o rendimento atual: o salário, as transferências de renda e os rendimentos financeiros.

"As grandes empresas foram pegas de surpresa pela nova classe média no Brasil", diz Kamakura, que ensina marketing global na escola de negócios Fuqua, da Duke, na Carolina do Norte. Por décadas, diz ele, as estratégias traçadas por brasileiras e multinacionais consideravam como público-alvo os consumidores de maior poder aquisitivo. "É a estratégia do 'em cima do morro'", afirma. O produto era pensado e vendido para a elite. A classe média acabava comprando, diz ele, porque aspirava ter as mesmas coisas que a classe alta.

A migração de 20,5 milhões de brasileiros, da base para o meio da pirâmide, foi um processo que ocorreu com maior vigor de 2003 a 2009, justamente o período analisado por Kamakura e Mazzon. A classe média ficou maior, na avaliação deles, porque a renda real e a oferta de crédito cresceram.

Nesse novo quadro, a classificação usada pelas empresas especializadas em elaborar pesquisas de mercado, conhecida por Critério Brasil, não retrata mais a realidade. Quando são comparadas as oito classes do novo modelo com as oito classes do Critério Brasil, observa Mazzon, o que se nota é uma distribuição mais assimétrica da população no modelo novo - com maior número de domicílios nas mãos da classe média.

A classificação do Critério Brasil mostra uma "curva assimétrica", diz Mazzon, mostrando maior número de lares nas mãos da classe D (ver arte nesta página). Os professores não são os únicos a pesquisas o assunto. Há consultorias do setor de consumo no Brasil estudando formas de atualizar a classificação de renda.

A classificação conhecida como Critério Brasil, diz Mazzon, "retrata melhor a camada mais rica da população." Esse método, segundo ele, ainda é uma boa ferramenta para medir o consumo de joias ou de serviços pessoais. O novo modelo, explica melhor o consumo da classe média, que, segundo o estudo, representa cerca de 56% dos lares (ou 51% da população) e responde por 33% dos gastos de consumo no país.

A classificação proposta por Kamakura e Mazzon será apresentada à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa nos próximos dias. A ideia é oferecer, sem custo, o novo modelo a companhias que queiram fazer pesquisas no Brasil.

O estudo dos professores, que levou cerca de um ano e meio para ser elaborado, também será publicado no "International Journal of Research in Marketing" no início de 2013, numa edição especial sobre marketing nos países emergentes.
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Lembro quando em 1996 assisti uma apresentação da antiga Ambev sobre a visão que a companhia tinha dos públicos que consumiam os produtos, nada de utilizar perfis socio-econômicos, faixas de idade, sexo ou localização. Infelizmente não posso revelar detalhes pois todos que assistiram apresentação tiveram que assinar um termo de confidencialidade, mas confesso que o retrato que eles viam e o conhecimento em relação aos clientes era impressionante. Como antes já tinha trabalhado para a Kaiser concorrendo no mesmo mercado, finalmente entendi a distância e eficiência na comunicação. Acredito que esse conhecimento tenha sido um dos principais motivos da objetividade e bons resultados que marcas como Brahma, Skol e Antarctica conquistaram desde então.


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4.12.09

Pulseiras do Sexo - Lenda urbana ou tendência adolescente?

Pulseiras do sexo
Recentemente minha mulher recebeu por email a notícia de que adolescentes e mesmo pessoas mais novas ainda estavam usando pulseirinhas coloridas com significados sexuais. Cada cor utilizada teria um significado em brincadeiras e joguinhos: amarelo seria abraçar, rosa mostrar os seios, verde para cunilingus, azul para felação, por aí vai.

O formato parecia muito com histórias de lendas urbanas (aconteceu com alguém conhecido, tome cuidado, etc), que tb circulam por email, mas desta vez acompanhada com a constatação real de que estas pulseiras estão na moda, sendo usadas pelos jovens e vendidas em camelôs no centro da cidade.

Pesquisando pelo Google achei matérias em jornais portugueses e brasileiros, apontando para reportagens publicadas na Inglaterra. Seguem trechos:

10/11/2009 - Gazeta (Espírito Santo): Pulseiras do sexo: uma mania adolescente
Os mais atentos já notaram que adolescentes vêm incrementando o visual com mais um item: uma colorida pulseira de plástico. O objeto parece inocente. Mas, na realidade, é um código para experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até o sexo propriamente dito. As pulseirinhas de silicone, agora promovidas “a pulseiras do sexo”, geraram o maior burburinho desde que começaram a aparecer. Alguns nem imaginam do que se trata. A moda, iniciada na Inglaterra, se disseminou pelo mundo, principalmente via internet, e é febre também dentro das escolas. Quem usa as pulseiras está automaticamente participando de um tipo de jogo (o Snap), que funciona assim: uns tentam arrebentar a pulseira do outro. Aquele que consegue ganha o direito ao “ato” ao qual a cor da pulseira corresponde. As “prendas” vão desde um carinho até uma atividade sexual.

Há pais que já ligaram o sinal de alerta. E muitos ficam chocados quando descobrem que a pulseira usada pelo filho serve para esse tipo de “brincadeira”. “Quantas mães não sabem do significado dessas ‘inocentes’ pulseirinhas e estão deixando as filhas e filhos usarem? Os pais precisam tomar uma atitude”, desabafou a mãe de um adolescente de 12 anos que usa várias pulseiras. A psicóloga Adriana Müller acredita que, para os pais, o melhor nessas horas é um diálogo franco com os filhos, explicando a eles os perigos associados a essa brincadeira. “Eles devem comparar esse problema com os valores defendidos pela família e criar limites para seus filhos”, aconselha. (Vitor Ferri)

29/09/2009 - Destak Portugal: As pulseiras do sexo
À primeira vista, uma colorida pulseira de plástico nos pulsos de crianças parece inocente. Mas na realidade são um código para as suas experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até ao sexo propriamente dito. (...) Quase tão chocante como as “festas arco-íris” – encontros com muito álcool e droga à mistura, em que as raparigas usam batons de cores diferentes para deixar a “marca” nos rapazes após o sexo oral -, as «pulseiras do sexo», que custam apenas um euro (um pacote com várias), têm um custo maior que foge ao alcance de muitos pais. (...)

Traduzi alguns trechos, inclusive o significado das cores, da materia onde aparentemente a onda se originou:

29/09/2009 - The Sun (Reino Unido): Bracelet which means your child is having SEX
Braceletes que permitem descobrir que seus filhos estão transando (...) As pulseiras do sexo (shag bands) estão sendo usados por milhares de estudantes do ensino fundamental e médio e podem ser compradas por centavos nas avenidas principais da cidade. (...) Os adolescentes correm atrás um dos outros para arrebentar as pulseirinhas, quando acontece, recebem em troca o ato físico que corresponde a cor da pulseira. (...) Amarelo - Abraçar, Laranja - Mordida do amor, Roxo - Beijo de língua, Cor de rosa - Mostrar os seios, Vermelho - Dançar strip tease, Azul - Sexo oral, Preto - Ir com tudo, Dourado - Fazer tudo (...) Pulseiras Raras. A preta e a dourada são mais difíceis de achar, quando encontram disponíveis em uma loja, tem que pedir para a mãe comprar (...)
Imprensa sensacionalista, moda, sexo, desinformação, ingredientes para duvidar se as pulseiras são apenas acessórios, uma tendência libertária e irreverente da nova geração, ou mais uma lenda para o acervo do folclore urbano.

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24.4.08

Wagner Fontoura e Luiz Yassuda na Riot

Depois da saída do profissional responsável pela polêmica ação para a Nike (relatada no BlueBus), a agência de buzz marketing Riot anunciou a contratação em março de Wagner Fontoura, do blog Boombust, e mais recentemente de Luiz Yassuda, dos blogs Yassuda.org e Estalo, Luiz que vai atuar no planejamento, estava desde junho de 2007 na área de tendências da agência Fischer America.

Segue copy paste do post do Blue Bus com email enviado pela Riot:
Agencia da Nike manda nota isentando o cliente, demitiu funcionario

"Com relaçao à nota publicada no Blue Bus, sobre a divulgaçao do site da Nike que trata da recuperaçao do jogador Ronaldo, a Riot esclarece que houve falha específica de um de nossos funcionários na redaçao do email de divulgaçao e assume total responsabilidade por esta açao".

"Esclarecemos também que a Nike em nenhum momento aprovou e/ou autorizou o uso desta estratégia de divulgaçao, apesar de sabermos que o cliente deve sempre aprovar qualquer documento público encaminhado em seu nome. Reafirmamos que tratou-se de um fato isolado dentro da Riot, que resultou em uma mal-elaborada sugestao de pauta, liderada unicamente por um funcionário que já nao faz mais parte da nossa equipe". 13/03
/2008

Publicado originalmente no Yahoo! Tecnologia.

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28.9.07

Não existe almoço grátis?

Almoço grátis?

"Sabe aquela história de que não existe almoço grátis? Mudou tudo, a economia agora está cheia de coisas de graça."
Alvin Toffler, futurólogo americano, em entrevista à Pedro Doria publicada aqui no Yahoo! Tecnologia em Alvin Tofler fala das mudanças na economia tradicional. Abaixo, segue o texto:
"Sabe aquela história de que não há almoço grátis?", pergunta Alvin Toffler. "Mudou tudo, a economia está cheia de coisas de graça", ele diz. Aos 78 anos, o primeiro futurista do mundo está cansado. Chegou a São Paulo faz um dia (1º de agosto) e torna à casa, em Los Angeles, nesta noite (dia 2). "Minha mulher não pôde vir, quero voltar logo." Toffler sorri. "Sinto saudades." O cansaço é acusado pela postura relaxada na cadeira, quase jogado, pelas pálpebras que caem com insistência, por uma pequena veia que estourou no olho direito.

Mas aí o velho professor lembra do que falava. Ganha ritmo, se empolga com suas idéias mais recentes. Quer se fazer compreender. "Se você vai a um caixa automático e saca dinheiro, um serviço é prestado e ninguém recebe por ele." Antes, todo serviço exigia um empregado para fazê-lo. Mas quem mede a pressão com um aparelhinho, em casa, não paga a visita do médico. Software livre, fotos digitais que não carecem de revelação, há uma miríade de funções que não geram mais pagamentos. No entanto, geram valor: o dinheiro na mão, a tranqüilidade de que a pressão vai bem ou a foto da filha soprando a vela de aniversário.

Dentre seus muitos livros, dois são clássicos, best-sellers desde o momento em que chegaram às livrarias. O Choque do Futuro, de 1970, e A Terceira Onda, de 1980. No primeiro, ele observava o medo que as pessoas têm do mundo em mudança. O futuro choca. Toffler previu que a sobrecarga de informação seria causa de stress e cunhou uma penca de neologismos. Um deles, "tecno rebeldes", trouxe o sufixo "tecno", de tecnologia, para o nosso dia-a-dia.

No final dos anos 1960, não existia o ramo acadêmico que hoje chamamos de futurismo. O que havia - e causava profundo fascínio - eram as idéias do professor canadense de literatura medieval Marshall McLuhan. Na era em que a televisão representava o máximo da inovação tecnológica, McLuhan sugeria que o texto não-interativo - jornal, carta, livro - estava deixando de ser o principal meio pelo qual as pessoas se informavam. No mundo do texto, as pessoas se distanciam. No audiovisual, interativo, aconteceria uma reaproximação. Como na velha tribo da cultura oral, o planeta todo se transformaria numa grande "aldeia global". E aconteceu. Na esteira de McLuhan, veio Toffler.

Em 1980, ele sugeriu que nossa história poderia ser contada em três grandes ondas. A primeira, agrícola; a segunda, industrial. "Quando você depende de uma linha de montagem, que é a idéia da indústria", ele sugere, "a pontualidade é muito importante". O mundo industrial inventou o relógio de pulso. Todos precisavam estar sincronizados. No campo, se o sujeito chega às 7 horas para plantar, ou se chega às 8 horas, faz pouca diferença. Na linha de montagem, em que um aperta o parafuso que o anterior encaixou, precisam todos estar ao mesmo tempo no mesmo local. "Hoje, mais que o horário de 9 às 5, o importante é a produtividade." Estamos vivendo a transição para a terceira onda.

Toffler sentiu o choque do futuro na pele. Para o jovem nova-iorquino que foi estudar literatura no final dos anos 1940, os sonhos e aspirações eram tais que não fazem mais sentido, hoje. Ser popstar era ser escritor. O novo Hemingway, o novo Steinbeck. E, assim como John Steinbeck foi trabalhar nas vinhas da Califórnia para se inspirar, Alvin e a jovem estudante de lingüística por quem se apaixonou, Heidi, foram ser operários. Se sindicalizaram.

Estão casados há quase 60 anos. Morreu-lhes uma filha, Karen, em 2000. E, quando conta isso, o rosto de Alvin empalidece um pouco, a voz desce um ou dois tons - há um momento de branco, como se perdesse o rumo do qual falava. Como se ficasse pasmo por um segundo. Surpreso. Quer outro assunto.

Não foram operários por muito tempo, Alvin e Heidi. No sindicato, começaram a editar um jornal e, quando a direção achou que era importante ter um repórter cobrindo questões trabalhistas na capital, lá se mudaram os Tofflers para Washington.

O grande romance americano jamais veio enquanto o casal ganhava a vida. Alvin, de repórter de jornal sindical, foi para um jornal tradicional. Deste segundo jornal, para a revista Fortune, como repórter de questões trabalhistas, e, ainda na Fortune, assumiu a cobertura de negócios e empresas. "A essas alturas, nos anos 1960, não sei se ainda éramos de esquerda."

Casaram-se quando ele tinha 20 e ela, 19. Em algum momento numa vida tão intensa e tão junta, Alvin deixou de usar a primeira pessoa do singular. Fala de "nós", confunde-se com Heidi. "Nossas idéias", ele diz. "O que imaginamos", continua. "Não sei se éramos mais de esquerda." Protestaram contra a guerra do Vietnã, enquanto serviam de consultores para a IBM, então para a Xerox, daí para a AT&T. "Passamos a pensar independentemente da política."

No novo trabalho, travaram contato antes de quase todo o resto do mundo com as tecnologias que confirmariam a revolução imaginada por McLuhan. Seu serviço para tais empresas: imaginar como deveriam se posicionar para continuar bem no futuro. Imaginar o futuro.

A praxe dos empresários era rejeitar suas idéias. À AT&T, para quem sugeriram a divisão da companhia em duas, uma de desenvolvimento de tecnologia, outra de serviços de telecomunicações, os Tofflers não faziam sentido. A empresa acabou dividida, por imposição da Justiça, uma década depois. O Choque do Futuro, primeiro livro de Alvin, editado por Heidi, explorava esta rejeição do futuro. Confortável, naqueles princípios de década de 1970, é quando o mundo não muda. Só que o mundo estava mudando por toda parte.

Após o lançamento do livro, os Tofflers ficaram conhecidos nacionalmente e foram convidados pelo Congresso dos EUA a criar um comitê de estudos do futuro. Foi quando fizeram amizade com dois jovens deputados. Um, Al Gore, viria a ser vice-presidente - e quase presidente. O outro, Newt Gingrich, foi presidente da Câmara e o principal nome da oposição ao governo Bill Clinton. Em comum, ambos tinham o respeito pelas idéias de Toffler.

Mentor chinês

A Terceira Onda o lançou internacionalmente. Inicialmente proibido na China, foi digerido pelo Comitê Central do Partido Comunista e liberado. Ponham-se numa planilha todos os livros vendidos na década de 1980 no País do Centro e o do professor só perde para as obras reunidas de Deng Xiaoping. "Mas não ganhei um tostão, eles nunca ligaram muito para essa coisa de direitos autorais", diz e ri. Ganhou outra coisa, até mais valiosa quando se está no ramo de adivinhar o futuro: prestígio. Toffler foi consultor de Zhao Ziyang, secretário geral do Partido que abriu a China.

Mikhail Gorbachev, da URSS, os presidentes Mahathir bin Mohamad, da Malásia, Abdul Kalam, da Índia, Kim Dae Jung, da Coréia do Sul - a lista se estende. "Vocês têm de ser ousados como Toffler, temos de transformar este país", disse certa vez Hugo Chávez a seus assessores. "Mas as mudanças que ele imaginava eram um pouco diferentes das minhas", retruca o velho professor. Está cansado, quer pegar seu avião, mas o bom humor se mantém.

"Há uma nova riqueza se criando e ela não se conta em dinheiro. Quando riqueza se contava em terra, ela era limitada. Só dá para plantar uma coisa por vez. Na era da informação, todos podemos usar o mesmo conhecimento ao mesmo tempo. Os economistas ainda não descobriram como contar estes valores produzidos de graça. Mas é o que está mudando tudo." As informações são do O Estado de S. Paulo/Link

Post originalmente publicado no Yahoo! Tecnologia.

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21.8.07

Fabrício Zuardi, sem TV na revista americana

O brasileiro Fabrício Zuardi foi um dos escolhidos para representar a geração internet na matéria Children of the web na revista Business Week em julho. O blog Coxa Creme linkou a reportagem comentando que Zuardi, que também tem o blog I do my own stunts, é O brasileiro que não tem TV.

Post originalmente publicado no Yahoo! Tecnologia.

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5.4.07

Ciclo Cronicamente Viável: a Informação e a Imaginação na Internet.

Dia 10 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, acontece mais um encontro do ciclo Cronicamente Viável: a Informação e a Imaginação na Internet. Ainda sob mediação de Marcelo Tas e Marcelo Rubens Paiva, desta vez estarão presentes o jornalista e escritor Daniel Piza e a jornalista e diretora do UOL Marion Strecker, que vão debater o tema: Os Portais de Informação e os Jornais Online. O evento também será transmitido em vídeo pela internet.

Dia 9, próxima segunda-feira, no British Council no Rio, a colunista do Blue Bus Yami Trequesser e o ombudsman do Comunique-se Cassio Politi, entre outros profissionais destacados, irão participar de um debate sobre as Tendências da Comunicação Online e os caminhos do conteúdo na internet. O evento terá transmissão ao vivo pela web.

Publicado originalmente no Yahoo! Tecnologia

8.2.07

Y Ikatu Xingu e LIFT Conference

Desde dia 25 do mês passado o site Y Ikatu Xingu, que defende a preservação do rio Xingu e seu entorno, convoca todos os identificados com a causa para participar de uma "barqueada virtual". Segundo notícia no site Propaganda & Marketing cada novo participante é revertido em uma doação para a campanha, pago pelos patrocinadores.

Nota no blog Alfarrábio avisa que a edição deste ano do LIFT, que começou ontem e termina amanhã em Genebra, Suíça, tem a presença da brasileira Maira Costa. Ela está publicando suas impressões do evento no endereço Blaz.com.br.

Post originalmente publicado no Yahoo! Tecnologia

28.12.06

Perfis do consumidor de tecnologia segundo o Ibope

Matéria no site Consumidor Moderno divulgou pesquisa sobre hábitos de consumo do brasileiro feita pelo Ibope . Segundo o estudo, os consumidores de eletroeletrônicos podem ser divididos em quatro grupos diferentes: atualizados consumistas, atualizados planejadores, desatualizados planejadores e desatualizados não-planejadores.

Os atualizados consumistas buscam estar em dia com a tecnologia e pagam qualquer preço por um eletroeletrônico que realmente desejam (geralmente são mais jovens). Os atualizados planejadores também querem estar em dia mas procuram mais informações antes de comprar. Os desatualizados nunca são os primeiros a comprar eletroeletrônicos. Neste grupo também convivem aqueles que buscam informações antes de comprar e os que não se preocupam muito com isto.

Publicado originalmente no Yahoo! Tecnologia
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